Voltar17 de abril de 2025Leitura de 4min

Unesp lidera projeto de R$ 5 milhões para impulsionar o diesel verde no Brasil

Iniciativa financiada pela Fapesp quer criar plataforma nacional de pesquisa em combustível renovável, com apoio do ITA e foco na produção de HVO

Unesp: projeto de

Com os impactos das mudanças climáticas se tornando cada vez mais evidentes, a busca por fontes de energia mais limpas e sustentáveis deixou de ser tendência para se tornar urgência. Nesse cenário, uma nova iniciativa da Universidade Estadual Paulista (Unesp), por meio do Instituto de Química (IQ) de Araraquara, promete dar um passo importante rumo à transição energética no Brasil: o desenvolvimento do diesel verde, também conhecido como HVO (Hydrotreated Vegetable Oil).

Liderado pela professora Sandra Helena Pulcinelli, o projeto “Materiais Aplicados na Transformação de Biomassa em Diesel Verde: do Laboratório ao Piloto” vai contar com um investimento de R$ 5 milhões nos próximos cinco anos, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A proposta é criar uma base tecnológica robusta para a produção nacional de diesel renovável, capaz de substituir parte do consumo atual de combustíveis fósseis.

“Esse projeto foi concebido com a proposta de somar competências para criar algo novo e relevante para o Brasil. O diesel verde já é produzido em outros países, mas sua exploração aqui ainda é praticamente nula”, afirma a professora Sandra.

Diesel verde: mais limpo, eficiente e promissor

Diferente do biodiesel convencional, o HVO é produzido por meio da hidrogenação de matérias-primas renováveis – como óleo de fritura usado, gordura animal e rejeitos da indústria. Essa rota tecnológica confere ao combustível maior estabilidade térmica, resistência à oxidação e menor emissão de poluentes, além de permitir seu uso puro ou em misturas com diesel comum ou biodiesel.

De acordo com o professor Rodrigo Fernando Costa, coordenador do Centro de Monitoramento e Pesquisa em Qualidade de Combustíveis (Cempec) da Unesp, a ideia do projeto surgiu em 2021, após uma visita da embaixadora da Suécia ao IQ. Um membro da comitiva demonstrou interesse em importar diesel verde brasileiro, mas, ao procurar fornecedores, Rodrigo se deparou com uma realidade frustrante: não havia produção nacional. Foi aí que surgiu a oportunidade.

“Se há demanda internacional e o Brasil ainda não produz, temos uma chance clara de inovação e protagonismo”, destaca o professor.

Projeto cobre toda a cadeia: da biomassa ao motor

A equipe formada para o projeto reúne especialistas em diferentes áreas, com apoio técnico do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), onde os testes finais em motores serão conduzidos. Participam também os professores Leandro Pierroni Martins e Celso Valentim Santilli (IQ) e o professor Pedro Lacava (ITA).

O projeto foi estruturado em quatro etapas:

Seleção de biomassas com alto potencial sustentável, priorizando resíduos que não competem com a produção de alimentos.

Desenvolvimento de catalisadores eficientes e acessíveis, usando metais como níquel e cobalto em vez de platina e paládio.

Produção em escala piloto, com reatores de alta pressão de até 50 litros.

Testes de desempenho em motores reais, focando em potência, torque e emissões.

Além da produção, o combustível passará por rigorosas análises laboratoriais para medir viscosidade, fluidez, composição e poder calorífico, conforme exigências da ANP (Agência Nacional do Petróleo).

“Nosso objetivo é produzir diesel verde em volume suficiente para testes reais, garantindo qualidade e eficiência”, explica o professor Leandro, coordenador do Grupo de Pesquisa em Catálise (GPCat).

Impacto ambiental e econômico

O professor Pedro Lacava, do ITA, acredita que o HVO tem potencial para reduzir significativamente as emissões de material particulado dos motores a diesel, diminuindo a necessidade de sistemas caros de pós-tratamento, como filtros catalíticos.

“Além de ser mais limpo, o diesel verde evita problemas associados ao biodiesel, como corrosão e entupimento de filtros – um dos principais motivos de resistência por parte das montadoras”, comenta Lacava.

A pesquisa também terá forte caráter educacional, envolvendo alunos de graduação, mestrado e doutorado, que receberão bolsas e participarão diretamente das etapas do projeto.

“A ciência avança com pessoas engajadas. Precisamos de mentes e mãos envolvidas nessa missão”, reforça a professora Sandra.

Um legado para a inovação energética nacional

Mais do que um combustível sustentável, o projeto visa criar uma plataforma nacional de pesquisa em HVO, com infraestrutura, metodologias e equipamentos compartilhados que poderão ser usados por outras instituições.

“Queremos que os reatores e o conhecimento desenvolvidos aqui sirvam de base para outras pesquisas no país”, destaca o professor Rodrigo.

Além do diesel verde, os pesquisadores ressaltam que a mesma rota tecnológica pode ser aplicada na produção de gasolina renovável e querosene de aviação sustentável – peça-chave na descarbonização do setor aéreo.

Para a professora Sandra, os resultados podem até mesmo ajudar a embasar futuras políticas públicas:

“Já há sinais de que o governo pretende incentivar o uso do HVO. Nossa pesquisa pode oferecer dados técnicos e soluções viáveis para essa nova fase da matriz energética brasileira”, conclui.

Fonte: Poder 360

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