Brasil amplia compras de diesel no exterior e Rússia assume liderança nas exportações para o país
Com importações de US$ 8,3 bilhões em 2024, o diesel ocupa o segundo lugar entre os produtos mais comprados pelo Brasil, com 65% vindo da Rússia

O óleo diesel segue como peça-chave no funcionamento do Brasil. De janeiro a dezembro de 2024, o país importou US$ 8,3 bilhões desse combustível, o segundo produto mais importado, ficando atrás apenas dos óleos brutos de petróleo (US$ 8,6 bilhões). A informação vem de um levantamento da Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados, com base nos dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A grande mudança está na origem desse diesel: 65% dele veio da Rússia, consolidando o país como o maior fornecedor do combustível ao Brasil. Essa liderança vem após um deslocamento histórico. Entre 2016 e 2020, os Estados Unidos dominavam o fornecimento, chegando a representar 84% das importações. Mas a geopolítica global redesenhou o mapa do diesel.
Em 2022, com o preço do diesel pressionado internamente, os EUA cogitaram restringir exportações, movimento que reduziu sua participação nas vendas ao Brasil. No mesmo período, a Rússia enfrentava sanções da União Europeia após invadir a Ucrânia, o que a obrigou a buscar novos compradores para seus derivados de petróleo.
“Com as sanções do Ocidente, a Rússia passou a vender seu diesel com desconto — e o Brasil aproveitou a oportunidade. Faz sentido do ponto de vista econômico, mas também nos coloca em uma posição delicada: estamos trocando uma dependência por outra”, analisa Jackson Campos, diretor de relações institucionais da AGL Cargo.
Mudança e custo
Para o consumidor, essa mudança gerou um alívio temporário no custo do combustível, como destaca o especialista:
“Importar da Rússia ajudou a aliviar o impacto de um petróleo caro e de um câmbio pressionado. Mas é uma solução que traz riscos. Se houver qualquer instabilidade ou mudança nas relações comerciais, podemos sentir isso na bomba em questão de semanas.”
Segundo a ANP, o preço médio atual do litro do diesel comum é R$ 6,19, enquanto o diesel S-10 está em R$ 6,26. A dependência de diesel importado ainda se deve à capacidade limitada de refino no Brasil, mas o país tem avançado na produção interna. Em 2023, a Refinaria Presidente Bernardes (Cubatão-SP) registrou recorde no segundo trimestre com 990 mil m³ de diesel S-10. E até outubro, a produção nacional acumulava 24,6 bilhões de litros, uma alta de 5,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Campos destaca um ponto crucial: “O diesel é um dos motores da economia brasileira. Depender de poucos fornecedores, seja quem for, é perigoso. Precisamos pensar em diversificação, segurança de abastecimento e em estratégias que garantam previsibilidade para o setor.”
Confira dados da pesquisa da Nexus
Importação do diesel
2024 - US$ 8,3 bilhões - 65% da Rússia, 17% dos EUA
2023 - US$ 9,6 bilhões - 47% da Rússia, 26% dos EUA
2022 - US$ 13,9 bilhões - 57% dos EUA, 16% da Índia
2021 - US$ 7 bilhões - 49% dos EUA, 18% da Índia
2020 - US$ 4 bilhões - 82% dos EUA
2019 - US$ 6,6 bilhões - 82% dos EUA
Produtos mais importados pelo Brasil
1º lugar - óleos brutos do petróleo - US$ 8,6 bilhões
2º lugar - óleo diesel - US$ 8,3 bilhões
3º lugar - partes de turborreatores ou de turbopropulsores (aeronaves) - US$ 4,8 bilhões
4º lugar - outros cloretos de potássio (fertilizantes e usos industriais) - US$ 3,6 bilhões
5º lugar - turborreatores de empuxo superior a 25 kN (aeronaves) - US$ 3,4 bilhões
Fonte: OTempo
Continue acompanhando o blog e fique por dentro das notícias do setor e outras informações sobre o óleo diesel!
Leia também: Petrobras e Vale testam combustível marítimo sustentável com óleo de cozinha usado



